PARASITA; Leia opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

PARASITA; Leia opinião do contabilista José Ricardo

Curioso como sou, a minha ida ao cinema para ver o filme ganhador do OSCAR era questão de dias. Escolhi hoje para assistir à película vencedora do cobiçado troféu, cuja festa foi realizada neste mês em Los Angeles, nos EUA. Compatível com as expectativas em torno da escolha achei muito bom o filme. Mesmo não sendo crítico de cinema, ouso declarar que foi um dos filmes que mais gostei dos que assisti recentemente. O autor conseguiu, com maestria, desenvolver o enredo a que o filme se propunha: destacar a triste realidade de duas camadas da sociedade, a rica e a pobre. Vale destacar que o filme não escolhe uma classe para eleger como a vilã da estória. Fica evidente que o termo parasita é emprestado às duas classes sociais, pois a falta de caráter não é uma prerrogativa de uma delas. Na vida real, o vírus da crueldade e da parasitagem não escolhe um específico hospedeiro para se alojar.

A película, termo arcaico emprestado aos filmes antigamente, nos brinda com várias cenas que destacam o caráter hipócrita de certas famílias, onde os fins justificam os meios, e aí a ética e a vergonha na cara não são ingredientes indispensáveis. O céu é o limite quando se tem planos nebulosos em mente. No filme, uma família pobre escancara toda a degradação humana, quando a cobiça pelo sucesso a qualquer custo não respeita as barreiras da hombridade e da honestidade.

A metáfora foi adequadamente empregada no filme, mostrando, mesmo de forma tênue, que a canalhice e o despropósito tanto está na base quanto no pico da pirâmide social. Pobreza e riqueza se misturam e se encaixam perfeitamente, imitando a vida como ela é.

O filme desnuda uma realidade de atitudes podres não escolhendo um vilão. Fica também evidente que a classe abastada da sociedade, claro que não é regra, não perde a oportunidade de pisar no miserável, negando-lhe o direito dos benefícios de uma convivência social humana e igualitária. Pisar no “parasita” pobre é como se fosse um orgasmo insano experimentado por figuras indevidamente chamadas de seres humanos.

Vale a pena ver o filme. Eu aconselho. Parasita foge do lugar comum dos filmes de ação e cenários fantásticos. Ele retrata o painel de uma sociedade cada vez mais febril, descompromissada com o bem estar social e aí o egoísmo é o tom. “Eu estando bem, o resto que se exploda”. Por outro lado também fica a lição: mau caráter existe em qualquer classe social, portanto não existem santinhos nessa estória.

Vou ficar por aqui para não estragar a curiosidade dos meus queridos leitores.

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