O trem de Sapé em 1883: Saiba quanto custou a ferrovia entre Cobé e Mari, Por Giovanni Mireles – Portal O Farol

O trem de Sapé em 1883: Saiba quanto custou a ferrovia entre Cobé e Mari, Por Giovanni Mireles

O valor da companhia Great Western era quase igual ao valor gasto na obra de construção da ferrovia Conde D’Eu Rail Way. Valor da época era 6.000:000$000 = Seis mil contos, ou seja, seis bilhões de réis. Mil contos significavam 1 bilhão de réis. A moeda era cotada assim 1:000$000 réis = (1 conto de réis = 1 milhão de réis).
Fazendo os cálculos de correção monetária, deflação, inflação, mudança de câmbio, alteração do meio circulante, troca de cédulas e moedas correntes, etc para os valores de hoje em dia, chega-se à quantia aproximada de R$ 6 bilhões, a preço atualizado pela cotação do dólar norte-americano.
A empresa The Conde D’Eu Railway Company Limited, foi organizada na Inglaterra no ano de 1875. Os trabalhos de construção da linha férrea na Paraíba foram iniciados em 1880 com todo o material rodante e metálicos provindos do Reino Unido. Foram adquiridas em princípio nove locomotivas das marcas Robert Stephenson Co. e Black Hawthorn Co., todas fabricadas na Grã-Bretanha e trazidas embarcadas em navios cargueiros para o Brasil.
A direção da ferrovia era formada por: Superintendente – H. G. Summer, Contador – A. T. Connor, Caixa – James Searle, Chefe da Locomoção – G. H. Armstrong, todos funcionários da empresa Wilson Sons & Company Limited. Engenheiros-chefes: de 1880 – 1882, Arthur Curling, somente em 1882, Robert Jonhson e Representante geral da companhia de 1882 – 1884, Ranson Colecome Batterbee (ficou no Brasil, 50 anos, de 1838 – 1888).
Antes das obras serem iniciadas, na década de 1870, estava à frente da empresa o engenheiro civil Hugh Wilson. Contudo, ao longo de toda a construção da estrada-de-ferro, o gerente da empreiteira foi o também engenheiro civil Samuel H. Agnew, que ainda era vice-cônsul inglês na Parahyba do Norte e negociante, até se mudar para Natal-RN, em 1895.
No trecho de Sapé a Mari, foram responsáveis os empreiteiros entre 1880 – 1882, Frank Turner, 1882 – 1883, Joseph Batrenau Snowden e 1883 – 1884, James Meldrum. Eles trabalharam com os seus compatriotas britânicos Alexander M. Ryme Jones, David Marshel, Richard G. Hamilton, Cyrillo Bacheler e Hosdrmick.
Os relatórios de 1880 e 1881 afirmam que haviam, respectivamente, 1.400 e 2.500 operários trabalhando na construção da estrada de ferro. Ainda houve reforço de um maquinista de nome Michel e um capitão de navio chamado F. John Wood.
Os salários variavam de $500 (Quinhentos Réis) a $100 e $200, dependendo da boa vontade dos empreiteiros da obra. Não havia nenhum contrato por escrito, em papel carimbado pela companhia ou registrado em cartório, nem muito menos eram pagos direitos trabalhistas.
Era tudo feito da base da confiança mútua, recíproca entre patrão/empregado, na famosa fórmula clássica da palavra empenhada de antigamente: “No fio de bigode”. E só. Nada de carteira assinada, fundo de pensão, leis previdenciárias, etc, como existe atualmente, a partir da edição da CLT, em 1940, por Getúlio Vargas.
A extensão total da linha em tráfego, no apogeu da ferrovia, era de 141 quilômetros, somando-se o trajeto principal e os ramais secundários. O custo total de construção foi de exatamente 6.597:951$000, em mil contos de réis (a preço de hoje, cerca de Seis Bilhões e 600 Mil Reais).
O custo por km era de 46:794$000 (46 contos e 794 mirréis). A bitola padrão dos trilhos era de um metro de largura, com raio mínimo de 100 metros de distância para margem de segurança operacional nos dois lados da ferrovia e declividade máxima de 20 centímetros, para não produzir ladeira de subida e descida das locomotivas e vagões de carga e passageiros.
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Operários da época da construção da ferrovia, recebiam baixos salários de Quinhentos Réis ou até menos, no valor de 000$100 e 000$200.
Todas as cédulas da época tinham a efígie do Imperador Dom Pedro 2º. No início das obras, em 1880, ninguém sabia que em menos de apenas dez anos depois, seria proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, derrubando num golpe de estado, a Monarquia no país.

 

O TREM DE SAPÉ EM 1883 – INÉDITO: SAIBA QUANTO CUSTOU A FERROVIA ENTRE COBÉ E MARI E VEJA PELA PRIMEIRA VEZ OS NOMES DOS INGLESES QUE CONSTRUÍRAM A LINHA FÉRREA E AS ESTAÇÕES – PARTE 02
Texto de Giovanni Meireles – Exclusivo para Sapé de Outrora – O Farol de Mari

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