MARIANA NADA ENSINA; Leia opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

MARIANA NADA ENSINA; Leia opinião do contabilista José Ricardo

Já se contabilizam sessenta mortos, balanço parcial da tragédia anunciada, decorrente de crimes ambientais praticados de forma escancarada, que à luz de suas ambições, conforta certa mentalidade de uma casta classe social que tem no lucro o seu objetivo maior. Somados aos dezenove mortos do caso de Mariana, também em Minas Gerais, com a mesma Vale do Rio Doce, totalizamos setenta e nove vidas que se foram, sob o olhar incrédulo de uma maioria, e a serenidade de outros, para quem a vida alheia não tem o menor valor, pois tratam casos da espécie como acidente. Acidente é acontecimento não previsto. Havendo previsões, não podemos afastar o caráter criminoso desses acontecimentos.

Aliás, fico a imaginar o quanto é perverso e inadequado o poder discricionário concedido ao administrador público, quando lhe é permitido usurpar a prerrogativa de uma brecha da lei, que permite ao Executivo legislar. E aí, acontecem coisas inimagináveis, de resultado incerto. Uma decisão da então Presidente DILMA ROUSSEF em 2015, quando do rompimento da barragem de Mariana – MG, “estuprando” a lei, conceituou como “desastre natural”, os casos da espécie. Sob a justificativa de ajudar no levantamento do FGTS para ajudar aos necessitados, mutila-se uma lei sem a menor preocupação com as consequências. Ora, a partir desse decreto, que ainda está em vigor, os verdadeiros culpados por eventos catastróficos semelhantes às duas tragédias vivenciadas em apenas três anos, poderão usar o que está escrito em Lei para isentarem-se das suas culpabilidades. Lamentável decisão da então Presidente, que poderão trazer danos à sociedade, pois não se reparam crimes cometidos debaixo dos panos do Direito.

Como já era previsto, essas tragédias já foram politizadas. Nas redes sociais o assunto ganhou matizes já conhecidos, pois a metralhadora da idiotice foi acionada e aí as velhas manias dos ataques e defesas ideológicas tomam conta do picadeiro.

“Quem matou Odete Roitman”? Quem é (ou são) o(s) culpado(s) pela tragédia crime de Brumadinho? O jogo de empurra já começou. Já que é para politizar, vamos aos fatos: destaque-se a pronta ação do governo de Minas Gerais, que de pronto, já tomou medidas judiciais cabíveis e aplicadas ao caso, solicitando o bloqueio de quase 12 bilhões para fazer frente a reparos ocasionados pela tragédia. Ao escrever esse texto, acabo de ler no rodapé do computador que os advogados da Vale já se manifestam defendendo a ausência de culpa do seu cliente. Não li a matéria, mas quero crer que o causídico vai se agarrar ao Decreto irresponsável da Presidente Dilma, para defender os interesses do seu cliente. Vale salientar que a intenção de liberar contas do FGTS para ajudar aos necessitados é um ato humanitário e pertinente. O que contestamos é a utilização indevida dos meios para justificar os fins. Poderiam alegar qualquer coisa, menos tratar, como o caso de Mariana, como desastre natural. Ah! “Vão catar coquinhos”, como diz uma amiga.

A sociedade precisa ficar alerta para atos do executivo que escondem suas reais finalidades e são suavizados por quem os decretam. Ideologias e defesas de ídolos políticos nesses casos não cabem. Os delírios do momento podem causar martírios no futuro. Não vamos aplacar atos danosos somente porque foram praticados pelas nossas escolhas político partidárias. Insanidade! Esse é o nome.

Vidas humanas são as maiores perdas. Não obstante, não podemos deixar por menos, também, os estragos ocasionados à fauna e à flora. Como se contabilizar isso? Quantos animais e vegetações foram atingidos pelas catástrofes? Essa perda tem de ser levantada e considerada. Portanto, é dever precípuo do atual Governo, endurecer as regras de liberação ambiental. E à justiça, cabe apurações de responsabilidades e pena dura aos culpados. Abandonar o mantra da desregulamentação, e entender que a natureza não é um bem rentável quando não respeitada. Essa deve ser a postura do Ministério do Meio Ambiente. Aliás, os próprios empresários do Agronegócio devem defender a bandeira em defesa do meio ambiente, pois, poderão assistir sentados em sacos de dinheiro, a extinção de suas “galinhas dos ovos de ouro”.

Fiquemos de olho no Ministério do Meio Ambiente, que tem sob o comando, um político condenado em primeira instância, por crimes ambientais. Isso aqui é Brasil meus amigos! Flexibilizar normas em benefício de um segmento, pondo em risco o conjunto da sociedade, não é uma prática muito inteligente. Esperamos que essa aberração não ganhe fôlego.

O balanço da tragédia de Brumadinho ainda não fechou. Infelizmente! Teremos números assustadores. Sem previsões apocalípticas.

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