FESTA NO INTERIOR; Leia opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

FESTA NO INTERIOR; Leia opinião do contabilista José Ricardo

Tive um fim de semana diferente. Na falta de outra programação parti rumo ao interior da Paraíba, precisamente rumo à cidade de Capim, próximo à Mamanguape. Fiquei hospedado em casa base do meu genro Alberto. Desnecessário registrar que durante o dia cultivamos uma loira gelada, churrasquinho e boa música na caixa potente JBL, com dispositivo Bluetooth, e ai constatamos o quão a tecnologia nos trouxe conforto e bem estar. Conectado ao celular, essa tecnologia nos possibilitar ter um mega acervo musical para o nosso agrado. Encontramos de tudo e o dia passe com a rapidez de The Flash. A modernidade nos facilita a vida. Existem pessoas mais saudosistas que buscam as negatividades do processo de globalização das tecnologias para reivindicar as ferramentas de outrora. Não vamos complicar. Todos têm suas razões e não as discuto. De minha parte ajo assim: curto tudo que é moderno sem desprezar as coisas e condições do passado. Tudo é importante em cada fase das nossas vidas.

A cidade de Capim é um pequeno lugar. Típica cidade do interior não obstante sua proximidade à capital paraibana. Tudo lá é calmo e parece que o tempo parou. Que bom! Isso traz uma serenidade no viver incrível. Em frente à casa onde me hospedei existe um campinho de futebol com ausência de grama, que seu lugar desta existe o chão batido, onde peladeiros disputam partidas de futebol com muito entusiasmo, pois perder não faz parte do vocabulário do peladeiro, mesmo que lhes custem algumas quedas que deixam joelhos e cotovelos ralados. Exatamente nesse campinho é que se realizou uma grande festa do interior, patrocinada pela prefeitura local, em comemoração a São Sebastião, o padroeiro da cidade.

O palco estava pronto. Não faltou o velho e conhecido parque de diversões. No começo da noite percorri as alas de diversões. Vi a roda gigante assentada sobre escoras de pequenos pedaços de pau. Acho que sem segurança nenhuma. Eu mesmo não me atrevi a “andar na roda gigante”. A adrenalina de um idoso parece ser mais atuante do que a do jovem, porém o medo supera o desejo. Fico aqui embaixo mesmo. Afinal, se cair do chão não passo. Preferi uma canoa que balança deixando seus usuários a uma altura que varia até 90 º, propiciando uma emoção tremenda, principalmente numa pessoa que não é mais uma criança. Ao meu lado a minha linda netinha Bianca, que não parava de rir , talvez por medo também ou tirando onda da minha cara de pânico. Perguntei a uma menina que nos acompanhava: quanto tempo leva isso? Ela respondeu: 10 minutos. Suei frio e confesso que quase pedi para parar. Mas continuei e quando parou descemos morrendo de rir. Não sei se de alegria ou de nervosismo.

Sigo a conhecer as outras atrações. Parei junto a um senhor que armava um local para vender espetinhos, afinal, os tempos são difíceis. Num país de desempregados o vendedor de espetinho é um empreendedor devidamente reconhecido pelo IBGE. Puxei conversa e ele disse que estava preparando o local na marra, pois poderia ser impedido pelos fiscais da prefeitura. Eu dê-lhe uma força, disse que tudo iria correr bem e que ele teria sucesso nas vendas. Ele agradeceu com um largo sorriso e eu segui.

Fui conhecer o palco onde se apresentariam bandas musicais na noite. Entre elas, o forro das antigas da banda Cavalheiros do Forró. Mega palco, tudo bancando pela prefeitura não obstante as dificuldades financeiras por que passam os municípios. Mas isso é preciso. O povo precisa manter a alegria de viver e nada melhor do que o placebo de uma festa de rua. NO INTERIOR É ASSIM: PODE NÃO TER EMPREGOS, MAS A FESTA TRADICIONAL É LEI. Começa uma banda a tocar e logo a galera começa a remexer o esqueleto. Músicas de qualidade? Ah, isso não queremos. O importante é a movimentação. Nada de nostalgia. Já que não temos o pão bebemos água não é mesmo? Emprego a gente se arranja. Hoje eu quero é me esbaldar. A essas alturas já vi a turma pra lá de Bagdá. Ébrios dançantes mostravam uma coreografia desengonçada, mas isso não é o que importa. O protagonista é a alegria que emana do povo simples e ordeiro daquela simpática cidade.

Saio de fininho e paro numa barraca onde localizei um cidadão armando os equipamentos para apresentação de um Djei. Lá estampada em um banner estava a foto de um moço. Lia-se Djei MSilva, acho que era isso. Olá amigo! Está ajeitando tudo para a apresentação do MSilva não é mesmo? Msilva sou eu mesmo, respondeu o rapaz. Fiquei meio constrangido pelo mico, elogiei seus equipamentos e lhe desejei boa sorte na festa. Ele sorriu e me agradeceu. Eu disse, lá onde estou hospedado também vamos ter Djei. Claudinho Santa Cruz, um dos melhores Djei da capital. Fiz a propaganda do amigo Claudinho, por quem tenho um carinho e admiração pela pessoa que é. Realmente, lá pelas dez horas ele começou a mostrar toda sua desenvoltura na arte de tocar e animou a nossa noite indo até de manhã, para deleite dos presentes.

Mas antes ainda parei num stand de tiro ao alvo. As festas do interior sempre tem esse divertimento. Comprei uma série de sete tiros, com balas de chumbinho. O desafio era derrubar alguns doces e biscoitos em uma prateleira a uns cinco metros de distância do balcão. Apontei, atirei, pimba! Derrubei uma pastilha garoto para espanto dos presentes. Prossegui na série de tiros e aí decepção geral. Não acertei mais nada, quando no último chumbinho acertei um pacote de pipocas, acho. O pacote não caiu, mas valeu. O rapaz me deu o alvo atingido. Foi bonzinho comigo, talvez por pena ou por reconhecer a sacanagem de fixar o alvo tão fortemente ao ponto de não ser derrubado com um simples chumbinho. Tudo bem. Valeu a brincadeira. Gastei R$ 5,00 e recuperei, talvez R$ 1,50. Sai no lucro.

Senti falta de uma coisa na festa. A tradicional barraca musical onde os transeuntes compravam musicas e ofereciam aos seus apaixonados (as) ou paqueras, jogando a isca para fisgar algum peixe. As músicas, tocadas em difusoras em forma de um funil localizadas em um mastro bem no alto da barraca para que o som se propagasse, tinham o prefácio de um locutor que, com o seu vozeirão, cravava: “vai essa linda página musical oferecida a “OX” como prova de amor e carinho de alguém que está perdidamente apaixonada”. Procurei saber o que era “OX”, aí ele disse: “Ontoin Xofer”.

E assim foi o meu fim de semana. Relembrei o passado e me diverti muito ao lado de familiares e amigos.
Festa no interior. Ainda guarda o seu charme.

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