FESTA DE ANIVERSÁRIO. Leia a opinião do Professor Ailton Elisiário – Portal O Farol

FESTA DE ANIVERSÁRIO. Leia a opinião do Professor Ailton Elisiário

            A cada ano que passa nós temos o costume de celebrar nossos aniversários. Fazemos uma festa na qual recebemos abraços e presentes, parabéns e mensagens de repetição infinita da data, num clima de muita alegria. Cantamos os parabéns, apagamos a vela do bolo que indica a quantidade de anos de vida que se comemora e nos refestelamos com a comida e a bebida que nos são servidas ao som de boas músicas.

            A festa de aniversário é como que uma comemoração por termos vencido mais um ano em nossas vidas, posto que a cada ano que passa vencemos mais um tempo de convivência entre os mortais. Não se menciona, porém, que a cada ano que passa mais nos aproximamos do fim de nossos tempos entre esses mesmos mortais. Não se vislumbra o fim que se aproxima, senão a alegria por já se ter vivido tanto ou quanto tempo.

            Este sentimento, porém, nem sempre foi assim. Nos primeiros séculos a festa de aniversário tinha um caráter escatológico, pois o passar dos anos faz com que se veja a morte com mais proximidade. Por isso que ao aniversariante não se desejava mais tempo de vida, mas sim saúde espiritual para chegar ao reino celestial, onde haveria de gozar eterna felicidade.

            Conta-se que certo idoso quando perguntado quantos anos tinha, sua resposta era sempre a quantidade de anos que lhe faltava para morrer. Sua resposta queria significar que já vivera bastante e que o tempo que lhe restava era o tempo que efetivamente tinha de vida. Não encontrava razão para comemorar o quanto já tinha vivido, mas sim o quanto tinha para viver.

            A imortalidade é o anseio do ser humano em todos os tempos. Para poder perpetuar-se ele se pega com a magia, com o misticismo, com a religião, buscando a vida no transcendente. Isto porque ele tem medo da morte e dela procura fugir, mesmo sabendo que ela é inevitável. Se ele soubesse que a morte é a passagem de um drama para uma apoteose, ele teria menos medo dela. Mas, ninguém sabe como é o outro lado da vida, pois jamais alguém voltou de lá para dizer como é o outro lado.

            Há os que querem prolongar a vida pela reencarnação, mas estes vão e voltam esquecidos de lá para viveram cá nas mesmas condições humanas de sofrimento. E há os que querem esse prolongamento pela ressurreição, mas estes vão e ficam lá adormecidos à espera de acordarem no último dia para a vida eterna de plena de felicidade.

            Enquanto isto se debate é conveniente que festejemos nossos aniversários, quer para comemorar tempo vivido ou tempo restante a viver, não importa. Importa que coloquemos nessas festas um sentimento de gratidão pela vida como uma graça de Deus. Nascer, viver e morrer é o ciclo natural da vida. Viver eternamente é a graça de Deus pela fé em Jesus Cristo.

 

Ailton Elisiário é professor Universitário

 

 

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