BALBÚRDIAS X DESCONSTRUÇÃO. Leia a opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

BALBÚRDIAS X DESCONSTRUÇÃO. Leia a opinião do contabilista José Ricardo

Até então um assunto era unanimidade no mundo: “a educação é a base de tudo”. Essa teoria agora está sendo questionada ou ignorada por uma parcela da população, alimentada por pensamentos mesquinhos e diminutos de uma turma aliada à ideologia de um ilustre desconhecido, cujo conteúdo verbal pode ser comparado, sem nenhum perigo de injustiça, a uma caixinha, do tipo latrina, onde são depositados excrementos de todas as espécies. Fico a imaginar como estamos perdendo a noção de civismo e patriotismo nos aliando às figuras sombrias da história do nosso amado Brasil. O que nos causam espécie é que, até parte do corpo docente da educação brasileira se contaminou com as ideias febris e doentias do atual ministro da educação, com respaldo do Presidente, que erroneamente defendem ter sido escolhido pela maioria dos brasileiros. Mentira deslavada e posicionamento equivocado, dignos dos que proferem palavras sem a devida coordenação do cérebro.

O pano de fundo que o governo apresentou para bloquear verbas para a educação (em torno de 30% no geral) é a justificativa rasa e sem embasamento técnico algum, que enfatiza o clima de balbúrdia implantado em três universidades federais. Depois, estendeu o castigo para todas as instituições federais de ensino. Quer dizer, ato maldoso para denegrir a imagem das universidades brasileiras, que bem ou mal, entregam produção acadêmica de qualidade, com ênfase na pesquisa, classificando o Brasil na honrosa posição de décimo terceiro lugar num ranking de cento e oitenta e sete países. Ai vem o nosso espanto: no rol das adesões às loucuras republicanas temos alguns professores, que vêm a público defender as medidas draconianas da equipe governamental, destacando os desfiles de alunos nus nas universidades como um escândalo irreparável, porém associado às turmas de filosofia e sociologia. Convenhamos! Mesmo se isso fosse preponderante (sabemos que existem bagunceiros em todas as áreas do nosso ensino), não se podem prejudicar as demais áreas e àqueles que estão lá a fim de algo melhor para as suas vidas, em razão de meia dúzia de gatos pingados, que vêm nos atos obscenos, uma forma eficaz de protesto. Claro que não concordo com isso.

Claro que a motivação do governo para submeter restrições orçamentárias às universidades não são as apresentadas. Quem tem o cuidado, como tenho, de se aprofundar um pouco mais sobre o tema, observa que fomos submetidos a mentiras deslavadas, porquanto a educação básica também foi atingida com a decisão imprópria de um governo perdido e sem rumo. Existem dados divulgados em fontes referenciais de que o bloqueio na educação básica foi o maior, chegando ao percentual de 39,68%. Então, ficam bem claras as intenções.

Vale lembrar que se encontra em vigor o conteúdo da PEC dos gastos, aonde se limita, aos valores atuais, todos os gastos por vinte anos. Lembro-me que à época das discussões para se aprovar a PEC, os favoráveis defendiam que áreas como educação e saúde não sofreriam tais restrições. Era tudo mentira ou quem aprovou não entendeu o espírito da Lei. Está aí a nossa educação no pelotão de frente das áreas que serão atingidas em nome de uma sustentação fiscal, cujo amparo deveria estar nas profundas reformas do nosso sistema tributário, onde continuam as distorções, quando o menos vale mais, ou seja: o pobre continua pagando a conta na hora do sacrifício. O mercado manda o recado, endossado pelo pensamento minúsculo do nosso Presidente, quando ameaça que o brasileiro só tem duas escolhas: trabalho ou benefícios e ensino superior é para as elites. Pobre tem de fazer curso técnico para consertar geladeiras e fogões, se possível à distância, através do Instituto Universal Brasileiro, sem custos para o Governo. Bom, assim sendo vamos lá. Os benefícios, conquistados às duras penas, com greves, manifestações e protestos já estão sendo combatidos. E o trabalho? Avolumam-se a quantidade de desempregados, chegando aos níveis alarmantes, e aí defenderam que as reformas trabalhistas impostas aos trabalhadores iriam criar milhões de empregos. Claro que esse pensamento é mesquinho. Se você fragiliza a formalidade, como terá mais empregos? Não vejo lógica nesse pensamento. Todo, inclusive adeptos, já perceberam que o nosso presidente não gosta de trabalhador. Aliás, não é bem não gostar. Vamos dizer que não dá muita importância a eles. Vide o discurso do dia do trabalho (1º de maio de 2019, sem nenhuma menção ao trabalhador e com afagos verbais ao empresariado). Agora se fragiliza os estabelecimentos do ensino público. O que nos resta?

Aliás, rumo existe. Já se vislumbra um plano arquitetado para justificar o fim do ensino público, entregando o filão para a iniciativa privada, que exige, pressiona e vibra jubilosamente com a possibilidade de administrar um verdadeiro Eldorado dos Carajás, tirando a fatia de obrigação do governo, de acordo com os preceitos constituições de promover a educação no País, criando para si um monopólio na área de educação e aí se salve quem puder.

Moral da história: a falta de educação escraviza. Sendo assim, fica mais fácil o domínio da massa. Ainda há tempo para repararmos os erros e evitarmos os possíveis danos. É só termos a humildade de reconhecer que as nossas escolhas nem sempre são as melhores. Se preferirmos continuar com paliativos para anestesiar nosso ego, aí as coisas se complicam. Pense nisso!

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