SUTILEZA SOMBRIA. Leia opinião do contabilista José Ricardo – Portal O Farol

SUTILEZA SOMBRIA. Leia opinião do contabilista José Ricardo

Depende de nós uma correção no rumo da política ora instalada no Brasil, sob a complacência de parte da população e a cumplicidade maléfica de autoridades e órgãos intencionalmente patrulhados para agir como coadjuvantes de um projeto de instalação de métodos fascistas de uma extrema direita descaradamente paradoxal.

Até 2018 o Brasil pugnava por transformações no seio político, pois as últimas experiências com quatorze ano de equívocos da turma esquerdista justificava esse estado de ânimo. Eu também estava inserido nesse contexto. Eis que surge um cidadão, com péssimos antecedentes na sua antiga corporação, que culminou com a decisão de premiá-lo com a reserva. Coisas do Brasil. Aqui, pessoas que cometem ilícitos são premiadas com aposentadorias, enquanto a maioria da população é castigada com atos diuturnos que lhe subtraem direitos e a coloca no mundo das incertezas, numa verdadeira roleta russa da sobrevivência coletiva. Nitidamente vivemos momentos em que o grosso da sociedade está submetido ao caos de sua existência imposta por senhores feudais contemporâneos, comparados aos da idade média. “Para nós tudo, para vocês as migalhas que caem no chão das nossas refeições substanciosas”.

Quem acompanha os meus escritos encontrará, invariavelmente, a minha posição política para nos livrar dos regimes tirânicos e perversos que nos acompanham há séculos. E aí, testemunharão que esse escritoreco jamais defendeu partidos, nem personagens. Não sou afeito a ídolos na acepção dos super heróis, mesmo porque esses usam a cueca pelo lado de fora, expressão do filósofo e escritor Paulo Ghiarelli, a quem peço vênia para usa-la, diga-se de passagem, muito engraçada. Acreditamos em um plano de governo que contemple todas as nossas agruras e nos proporcione sustentabilidade para ações contínuas e que tragam benefícios para todos sem o padrão da esmola que cativa a miséria.

No caldeirão das incertezas reinantes até 2018, surge essa figura, que alienados doentes o têm como “mito”. E aí se constituiu uma massa de bolsonaristas compostas dos extremistas radicais de uma direita hipócrita, conservadora de prestígios e de ideias loucas, que se mantinham entrincheirada à espreita do momento oportuno para dar o bote. As manifestações alucinantes dessa turma angariou a simpatia de um público alvo da extrema esquerda militante, que em passado recente defendia a quebradeira e a radicalização como vetor das transformações necessárias. Como por desilusão, essa turma apostou numa transformação radical, migrando para a extrema direita, adulterando todas as suas convicções ideológicas adquiridas ao longo dos anos. Essa turma também necessita estudos da psicologia, porquanto ela tinha a certeza que não bastava extirpar o “câncer esquerdista”, pois vivem a constatação de que o mote anticorrupção foi uma escolha errada, pois o atual governo apenas mudou as placas da corja corrupta. Nunca, um governo expôs tão cedo a sua malha corrupta quanto o atual. No seio ministerial existem corruptos condenados e outros cometendo atos ímprobos sob a complacência de uma malha protetora composta por potenciais defensores da escuridão sistêmica, a exemplo do atual ministro da justiça, em parceria estranha com o Presidente. Essa dobradinha não venderá barato a sua saga aplacadora de atos contínuos nebuloso dos seus aliados, principalmente com relação aos familiares e padrinhos.

Na esteira dos adeptos desse modelo fascista que esboça um plano de dominação das frentes republicanas, procurando a sua deterioração, está um grupo formado pela classe média, que pensa ser rica, e da classe dos pobres, que se vêm como classe média, numa combinação louca difícil de entender. Afirmamos isso porque não vemos nenhum motivo plausível para que a pobreza se desmanche de amores por um governo incrivelmente elitista, pois os seus atos, até agora, não trouxe um benefício sequer para a classe mais frágil da nossa sociedade. Desafio a quem tem outro pensamento a nos apresentar um. Ah! Já sei: “ajudamos a tirar o PT do poder!”. Ah, vão catar coquinhos!

A plataforma política do Bolsonarismo calçou suas ações na perseguição ao dito “viés ideológico”, sem que o patrono da campanha saiba do que se trata. Hoje, o que se vê é um aparelhamento de órgãos e repartições como a se preparar o terreno para a implantação de uma ditadura de extrema direita, pois, se notarmos, as escolhas têm recaído sobre militares das forças armadas, cristãos fundamentalistas e os políticos “baba ovo” sem expressão.

Dados dão conta de que o governo inchou as bases da gestão pública com mais de 1.500 militares das forças armadas e outros tantos com personagens que nutrem ódio contra instituições democráticas, e que não se cansam em promover a desqualificação de tudo que construímos ao longo do período. O projeto de destruição é escancarado. No lugar de tudo que está sendo desconstruído, nada! Tudo que esse governo pensa tem intenções pessoais como se o Brasil fosse composto somente de “gados guiados”, que na ausência de alternativas colocaram os pescoços à canga.

O projeto de ocupação fascista é maquiavélico. Usaram um boneco como instrumento de idolatria, impondo ideias retrógradas nas relações sociais, e aí, a turma do conservadorismo hipócrita se apropria do momento para dificultar o entendimento de tudo que vivemos no atual cenário.

Não podemos baixar a guarda. Depositamos a nossa confiança na classe social esclarecida, que certamente entenderá que muito já fizeram em retirar do poder uma turma que se perdeu, mas que feito isso é necessário uma postura de qualidade e buscar coisa melhor do que esse lixo de que dispomos. Tenho esperanças. Ah! Tenho.

Categorias: Cidades,Colunistas,Destaque,José Ricardo,Política