DESMISTIFICANDO A SAUDADE; Leia opinião de José Ricardo – Portal O Farol

DESMISTIFICANDO A SAUDADE; Leia opinião de José Ricardo

“Saudade, palavra triste quando se perde um grande amor”! Esse verso da bela canção antiga traz uma síntese do que seja saudade. Claro que o universo de definições cabíveis é de uma vastidão imensurável.

A saudade, diferentemente da lembrança, está aliada a uma perda, momentânea, efêmera ou perene, sobre a qual somos impotentes. Nada podemos fazer para evitá-la. O que me conforta na saudade é que ela somente é sentida pelas coisas boas, ao passo que lembranças podem ser boas ou más. Sentimos saudades de pessoas e tempos bons. Lembranças podem nos causar dissabores dependendo do contexto em que se insere.

Se fosse me dado o poder de escolhas, nunca queria ter saudades. A saudade aplaca os nossos corações, porém paradoxalmente enraíza a dor. A saudade é incurável. O tempo não apaga. É implacável ao ponto de nos acompanhar para o resto das nossas vidas materiais.

Se fosse dado a escolher, nunca experimentaria a saudade, pois não existiria a causa e consequentemente o efeito.
Saudade! Oh que coisa maravilhosa. Sentimos sem nenhum controle. Saudade, que aperto toma conta dos nossos corações quando nos entregamos a ela!. Esse sentimento mágico nos transforma e nos consolida como serem humanos. Esse sentimento puro massageia a nossa alma e purifica os nossos sentimentos, entretanto vem sempre acompanhada de uma insegurança que abala a nossa existência.

A saudade poderia ter um controle remoto, onde seria possível direcionar a sua amplitude de comando. “Quero ter saudade, pronto! Ligo o botão”. “Não quero mais, mudo de canal”. “Vou assistir a outro programa menos sensitivo”.

A saudade tem essas duas características antagônicas: prazerosa e triste atenuante. Não gostaria de sentir saudades. Isso ratificaria a minha condição de isenção de perdas.
Poderia se pensar assim: a perda faz parte da vida. Concordo! Porém reafirmo com a pureza da alma: É difícil conviver com a perda com a naturalidade de quem nunca experimentou tal situação.

Deus, na sua infinita bondade, consegue aplacar as nossas angústias nas crises de saudades dolorosas e contundentes.

“Ah! que saudades que eu tenho, da aurora da min há vida, da minha infância querida, dos tempos que não voltam mais”.

 

José Ricardo e contabilista e servidor público federal aposentado

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