‘Custo Bolsonaro explica inflação brasileira’, afirma o economista José Luís Oreiro – Portal O Farol

‘Custo Bolsonaro explica inflação brasileira’, afirma o economista José Luís Oreiro

Para o economista a gestão econômica do atual governo é o principal fator que enfraqueceu a economia brasileira durante a pandemia

Foto/Brasil 247

Segundo o economista José Luís Oreiro, a inflação brasileira atual que cresceu mais de 10,05%  ao longo dos últimos 12 meses é causada pelo “custo Bolsonaro”. Oreiro comparou a realidade brasileira com a de países como Turquia e Argentina, que também sofreram depreciação cambial ao longo da pandemia do novo coronavírus e avaliou quais fatores foram determinantes para o enfraquecimento dessas economias nacionais.

“O Brasil não foi o único em desenvolvimento que passou por uma desvalorização no câmbio. A Turquia também teve, a Argentina, etc. Basicamente, porque quando começou a pandemia, há aumento da percepção de incerteza no mundo e os capitais fluem dos países em desenvolvimento para os Estados Unidos e para Europa”, disse.

Contudo, o caso brasileiro chama a atenção pela magnitude das alterações. De acordo com o economista, a crise do real se deve a ações diretas do governo Jair Bolsonaro, como a destruição da Amazônia e os ataques xenofóbicos contra a China, maior parceiro comercial do Brasil.

“Mas a nossa [depreciação cambial] aqui foi muito forte. E por quê? Não precisa ser nenhum gênio para perceber que o Brasil é hoje uma pária internacional, seja por conta da questão da preservação da floresta amazônica, seja por conta dos ataques que o governo fazia, e ainda faz de vez em quando, ao nosso maior parceiro comercial, que é a China, seja por conta dos ataques que o presidente faz, dia sim e outro também, ao Estado democrático de direito. Tudo isso vai criando ruído e aumenta a percepção de incerteza. E como nossa moeda não é uma moeda de reserva internacional, quanto maior a incerteza, maior a preferência dos agentes pela liquidez expressa em dólares americanos, em euros ou yuans”, ponderou Oreiro.

Questionado sobre o impacto da incerteza e da desvalorização cambial na inflação, o economista afirmou que este é certo, pois torna mais favorável exportar que abastecer o mercado interno. “Levou algum tempo. A inflação começa a se acelerar a partir do início deste ano”, afirmou.

Ele citou, ainda, a crise hídrica, a pior dos últimos 100 anos, que reflete no preço dos alimentos. “Óbvio que isso se reflete direto no preço dos alimentos, porque quanto menos chuvas nós temos, o pasto dos bois cresce menos, portanto, leva mais tempo para o boi engordar e o preço da carne sobe”, explicou ele.

Imposto sobre commodities

Oreiro defendeu a criação de um imposto sobre a exportação de commodities, que atuaria para frear o incentivo a exportar: “Mataria dois problemas de uma vez só: primeiro, você redirecionaria a oferta de carne para o mercado interno, o que abaixaria o preço; segundo, ainda dava para o governo arrecadar alguma coisa com o imposto e, com isso, ajudava na situação fiscal”.

Por Brasil 247

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