“BANANA” PARA O RACISMO; Leia opinião do José Ricardo – Portal O Farol

“BANANA” PARA O RACISMO; Leia opinião do José Ricardo

 

Enquanto a cor da pele for mais importante
que o brilho dos olhos, haverá guerra.
Bob Marley

Já se foi o tempo em que a expressão “a preço de banana” era usada para determinar o custo de um produto de baixa qualidade. Hoje, a nossa fruta oriental, que habita o território brasileiro desde o seu descobrimento, além de se constituir em alimento de excepcional valor nutricional, é usada simbólica e emblematicamente como punhal das mentes medíocres que ainda se deliciam com as práticas racistas, entretanto tem o seu uso como amuleto daqueles que entende a questão do racismo de forma mais séria e contundente, como foi o caso do nosso Daniel Alves, que ganhou a minha admiração, não pelo futebol que apresenta e sim pela postura serena e eficaz que tomou. Ao invés de zangar-se, sentir-se diminuído e coitadinho, o Daniel deu um tapa na cara do preconceituoso que atirou uma banana no campo de jogo. Pegou a banana e comeu, e pronto. Que lição! Que bela lição! Esse ato inteligente teve o apoio maciço e repercussão mundial.

Infelizmente, em pleno século XXI ainda observamos atos ridículos preconceituosos que comprovam a cretinice da espécie humana, que ainda mantem arraigada em seus íntimos o pensamento de superioridade e supremacia de uma raça sobre outra.

No Brasil, essa prática está em cada esquina, a cada dia do ano, e a todo o momento. Pessoas que se dizem contrárias às práticas preconceituosas do racismo, veem a público se apresentar como “politicamente corretos”, defendendo a igualdade e a diversidade de raças ou até outros que chegam a afirmar que não levam negros para o seu programa porque não seria politicamente correto. Isso foi dito por alguém da TV. Pelo menos é o que li na internet. Não me surpreenderia de ver essas pessoas virarem as costas e se esquivarem diante de uma situação em que fosse extremamente necessária a sua intervenção em ajuda ao nosso irmão negro ou pobre. Pois é isso que acontece. Tem uma apresentadora de programa Global aí que afirma categoricamente adorar a favela. Primeiro, ela deveria buscar no dicionário o verdadeiro significado do verbo adorar, aliás, usado vulgarmente por muitos. Ora bolas! É muita palhaçada, pois duvido que ela troque o conforto do seu luxuoso lar em Ipanema para morar em uma favela do Rio de Janeiro. Isso chega ao alto nível da hipocrisia, pois mesmo os nossos irmãos que convivem em lugares menos privilegiados não topariam se acomodar nas favelas se fosse lhe dada a oportunidade de ascender socialmente e vir a morar em luxuosos prédios na Zona Sul.

Voltando à questão do racismo propriamente dito, essa semana teve dois exemplos de como se aplicar punição para coibir a prática de crimes. Primeiro, o Sr. Donaldo Sterling, o dono do poderoso Los Angeles Clippers, time de basquetebol americano, foi banido para sempre do esporte, além de pagar multa de 2,5 milhões de dólares por proferir opinião que denota o racismo idiota. Depois, o torcedor que jogou banana no campo, em jogo do qual participava o Daniel Alves, também foi banido, pra sempre, não podendo assistir aos jogos da modalidade. Isso é justiça. Se fosse por aqui ficaria por isso mesmo. Por isso é que sempre defendi penas severas para quem comete ilícitos. Afinal, a pena branda é sinônimo de impunidade.

Invariavelmente experimentamos práticas de racismo e de injúria racial. A primeira impede a prática de exercício de um direito que a pessoa tenha. A segunda se determina pela ofensa às pessoas por raça. Ambas são inaceitáveis. As duas situações não se coadunam com a nossa condição de seres humanos. Ambas as condutas são abomináveis sob todos os aspectos.

Dou uma banana para o racismo. Não a fruta, mas sim o gesto de repulsa para atos ridículos da espécie, próprios dos bichos que se intitulam de gente. Em minha trajetória de vida nunca aceitei isso. Não faz o menor sentido, pois afirmo categoricamente: ninguém é melhor do que o outro. Tenho o maior respeito e carinho pelo meu semelhante, seja ele branco, preto, roxo, verde, amarelo, pálido ou o que seja. Afinal a cor da pele, para mim, não tem qualquer significância. Para mim, o que importa é o caráter e a dignidade.

 

José Ricardo é contablista

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